quinta-feira, 27 de abril de 2017

René Descartes

Resultado de imagem para rené descartes

René Descartes (La Haye en Touraine, 31 de março de 1596 – Estocolmo, 11 de fevereiro de 1650) foi um filósofo, físico e matemático francês.Durante a Idade Moderna, também era conhecido por seu nome latino Renatus Cartesius.

Notabilizou-se sobretudo por seu trabalho revolucionário na filosofia e na ciência, mas também obteve reconhecimento matemático por sugerir a fusão da álgebra com a geometria - fato que gerou a geometria analítica e o sistema de coordenadas que hoje leva o seu nome. Por fim, foi também uma das figuras-chave na Revolução Científica.

Descartes, por vezes chamado de "o fundador da filosofia moderna" e o "pai da matemática moderna", é considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da História do Pensamento Ocidental. Inspirou contemporâneos e várias gerações de filósofos posteriores; boa parte da filosofia escrita a partir de então foi uma reação às suas obras ou a autores supostamente influenciados por ele. Muitos especialistas afirmam que, a partir de Descartes, inaugurou-se o racionalismo da Idade Moderna.

Décadas mais tarde, surgiria nas Ilhas Britânicas um movimento filosófico que, de certa forma, seria o seu oposto - o empirismo, com John Locke e David Hume.

Descartes é considerado o primeiro filósofo moderno. A sua contribuição à epistemologia é essencial, assim como às ciências naturais por ter estabelecido um método que ajudou no seu desenvolvimento. Descartes criou, em suas obras Discurso sobre o método e Meditações - a primeira escrita em francês, a segunda escrita em latim, língua tradicionalmente utilizada nos textos eruditos de sua época - as bases da ciência contemporânea.

Resultado de imagem para rené descartes

O método cartesiano consiste no ceticismo metodológico - que nada tem a ver com a atitude cética: duvida-se de cada ideia que não seja clara e distinta. Ao contrário dos gregos antigos e dos escolásticos, que acreditavam que as coisas existem simplesmente porque "precisam" existir, ou porque assim deve ser etc., Descartes instituiu a dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que puder ser provado, sendo o ato de duvidar indubitável. Baseado nisso, Descartes busca provar a existência do próprio eu (que duvida: portanto, é sujeito de algo. Ego cogito ergo sum, "eu que penso, logo existo") e de Deus.

Também consiste o método de quatro regras básicas:

Verificar se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada;
Analisar, ou seja, dividir ao máximo as coisas, em suas unidades mais simples e estudar essas coisas mais simples;
Sintetizar, ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro;
Enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento.

Em relação à Ciência, Descartes desenvolveu uma filosofia que influenciou muitos, até ser superada pela metodologia de Newton. Ele sustentava, por exemplo, que o universo era pleno e não poderia haver vácuo. Acreditava que a matéria não possuía qualidades secundárias inerentes, mas apenas qualidades primárias de extensão e movimento.

Ele dividia a realidade em res cogitans (consciência, mente) e res extensa (matéria). Acreditava também que Deus criou o universo como um perfeito mecanismo de moção vertical e que funcionava deterministicamente sem intervenção desde então.

Matemáticos consideram Descartes muito importante por sua descoberta da geometria analítica. Antes de Descartes, a geometria e a álgebra apareciam como ramos completamente separados da matemática. Descartes mostrou como traduzir problemas de geometria para a álgebra, abordando esses problemas através de um sistema de coordenadas.

A teoria de Descartes forneceu a base para o cálculo de Isaac Newton e Gottfried Leibniz, e então, para muito da matemática moderna. Isso parece ainda mais incrível tendo em mente que esse trabalho foi intencionado apenas como um exemplo no seu "Discurso Sobre o Método".

Resultado de imagem para rené descartes

Segundo Descartes, o corpo é formado de matéria física e, por isso, tem propriedades comuns a qualquer matéria, como tamanho, peso e capacidade motora. Assim, as leis que regem a física, também regem o corpo humano. Incitando assim a separação do corpo de da alma.
eoria Cartesiana do sistema circulatório

Note-se que só a partir desta distinção entre o corpo e a alma é possível inferir propriedades do corpo humano a partir do estudo da anatomia animal. 

A partir desse ponto, Descartes explica o funcionamento do sistema sanguíneo e como chegou a suas conclusões : “Desejo dar aqui a explicação do movimento do coração e das artérias o qual, sendo o que mais geralmente se observa nos animais, se julgará mais facilmente o que se deve pensar dos outros e, a fim de termos menos dificuldades em compreender o que vou dizer, desejava que os não versados em anatomia se resolvessem, antes de ler, a colocar ante eles o coração de qualquer grande animal que tenha pulmões, porque ele é em tudo bastante semelhante ao do homem” (1, p. 47). “(...) desejo adverti-los que este movimento que acabo de explicar resulta necessária e somente da disposição dos órgãos que se podem observar a olho nu no coração, e do calor que lá se pode sentir com os dedos, e da natureza do sangue que se pode conhecer por experiências, da mesma maneira que o movimento de um relógio resulta da força, da situação e da forma dos seus contrapesos e das rodas”.

Observe-se que a teoria de Descartes, apesar de errada, é coerente com a nova visão mecanicista da natureza, como mostra a metáfora feita com o relógio. 

“A explicação cartesiana do corpo, considerado como máquina, necessita de um motor que possibilite todas as funções fisiológicas, e esse motor tem por base o fogo cardíaco que, por um processo semelhante à fermentação, faz com que o sangue entre em ebulição e distribua-se pelo corpo por meio das artérias. A defesa da fermentação, como estando na base do movimento do coração e do sangue, não sofre alteração ao longo da obra de Descartes”. Para Descartes, o batimento cardíaco era uma consequência do movimento do sangue e não a sua causa: o coração é obrigado a contrair-se quando não contém sangue; volta a inchar quando tem novamente sangue.



Obra 
Regras para a Direção do Espírito

Resultado de imagem para rené descartes Obra  Regras para a Direção do Espírito

Regras para a direção do espírito (originalmente em latim, Regulae ad directionem ingenii) é uma obra de René Descartes. Este trabalho delineou a base para seu trabalho posterior sobre problemas complexos de matemática, ciência e filosofia. 36 regras foram planejados no total, mas apenas 21 foram realmente escritas. Este trabalho não foi publicado durante a vida do autor. A tradução holandesa apareceu em 1684, e a primeira edição em latim em 1701.

Regras

I. O objetivo de nossos estudos deve ser o sentido da nossa mente para que ele possa formar juízos sólidos e verdadeiros sobre quaisquer questões que surgem.

II. Devemos nos ocupar apenas com os objetos que nossas capacidades intelectuais são mais competentes em saber com certeza e sem dúvidas.

III. No que se referir a qualquer assunto que nos propomos a investigar, devemos perguntar não o que as outras pessoas têm pensado, ou o que nós mesmos conjecturamos, mas o que podemos perceber clara e manifestamente por intuição ou deduzir com certeza. Porque não há outra forma de aquisição de conhecimento.

IV. O método é necessário para a procura da verdade.

V. O método consiste inteiramente na ordem e disposição dos objetos para que nossa visão mental seja dirigidas, se queremos descobrir qualquer verdade. Vamos cumpri-lo exatamente se reduzirmos as proposições obscuras envolvidos uma por uma para aqueles que são mais simples, e, em seguida, a partir da apreensão intuitiva de todas aquelas que são absolutamente simples, tentar ascender ao conhecimento de todas os outros por etapas precisamente semelhantes.

VI. A fim de separar o que é muito simples do que é complexo e para organizar esses assuntos de forma metódica, devemos, no caso de todas as séries em que se deduziram certos fatos uns pelos outros, perceber o que de fato é simples e para marcar o intervalo, maior, menor ou igual, que separa todos os outros com isso.

VII. Se quisermos nossa ciência para ser completa, os assuntos que promovam o fim que temos em vista uma obrigação e tudo ser examinado por um movimento de pensamento que é contínua e nada interrompido, mas também devem ser incluídos em uma enumeração que é simultaneamente adequada e metódica.

VIII. Se nas matérias a serem examinadas chegamos a uma etapa na série de que nosso entendimento não é suficientemente capaz de ter um conhecimento intuitivo, devemos parar nele. Não devemos fazer nenhuma tentativa de examinar o que se segue, portanto vamos nos poupar de trabalho supérfluo.

IX. Devemos dar toda a nossa atenção para os fatos mais insignificantes e mais facilmente dominados e permanecer um longo tempo na contemplação deles até que estejamos acostumados a ver sua verdade clara e distintamente.

X. Para que o espírito se torne perspicaz, devemos exercitá-lo em procurar o que já foi encontrados por outros, e percorrer metodicamente todas as artes ou ofícios dos homens, desde as menos importantes, mas sobretudo as que manifestam ou supõem ordem.

XI. Depois da intuição de algumas proposições simples, se delas tirarmos outra conclusão, convém percorrer as mesmas com o pensamento num movimento contínuo, nunca interrompido, refletir suas relações mútuas e conceber distintamente várias coisas ao mesmo tempo, tanto o quanto se puder; efetivamente, é assim que o nosso conhecimento se torna muito mais certo e se aumenta a capacidade de nossa mente.

XII. Finalmente, temos que utilizar todos os recursos do entendimento, da imaginação, dos sentidos e da memória, quer para termos uma intuição distinta das proposições simples, quer para estabelecermos, entre as coisas que se procuram e as conhecidas, uma ligação adequada que as permita ser reconhecidas, ou ainda para encontrar as coisas que entre si se devem comparar, a fim de se não omitir nenhum recurso da criação humana.

XIII. Se compreendermos perfeitamente uma questão, devemos abstraí-la de todo o conceito supérfluo, reduzi-la à maior simplicidade e dividi-la em partes tão pequenas quanto possível, enumerando cada uma delas.

XIV. A mesma regra deve aplicar-se à extensão real dos objetos e propor-se à imaginação com a ajuda de figuras puras e simples; será assim percebida muito mais distintamente pela compreensão.

XV. É sempre útil traçar estas figuras e apresentá-las aos sentidos externos, para que assim seja mais fácil conservar nosso pensamento atento.

XVI. O que não requer a atenção imediata da mente, embora necessário à conclusão, deve ser endereçado por notações muito breves em vez de figuras inteiras; assim a memória não poderá enganar-se nem o pensamento distrair-se enquanto, se aplica a outras deduções.